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Dona da história, Ana Carolina estreia show “Ruído Branco” no Rio

Pense na Ana Carolina, intérprete de Garganta (Ana Carolina, 1999), aquela que veio parar nessa cidade por força das circunstâncias. Pense na Ana de Elevador (livro de esquecimento) (Estampado, 2003), que sobe bem alto pra gritar que é amor. Pense na Ana de Eu comi a Madona (Dois Quartos, 2006), que, bem, deixemos o título falar por si só. Agora esqueça. Isso mesmo, esqueça tudo o que você pensava saber sobre um show dessa artista mineira.

ruído branco

Pouco depois das 20h da noite e o hall de entrada do Teatro Bradesco, no shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, ainda tinha uma pequena quantidade de pessoas que era bem fácil de ser contada (e caso você pense “mas não é o mesmo lugar daquele show lindo da Isabella Taviani, que também teve resenha aqui?” Sim! Você pensou certo! – e se não pensou, depois dá uma clicadinha aqui pra entender). Já bem perto das 21h era bem difícil conseguir transitar pelo mesmo espaço, que agora agregava um aglomerado de fãs e convidados. A noite do dia 27 de janeiro de 2017 foi a escolhida para ser a estreia nacional do novo show de Ana Carolina, Ruído Branco.

ruído branco

Dirigido pela própria cantora, o novo show tem como base o primeiro livro escrito por ela, que está tornando cada vez mais difícil citá-la, ora cantora/compositora/multi-instrumentista, ora escritora/pintora/produtora/diretora – um exército de mulheres numa só. Ruído Branco conta com poesias, prosas, rascunhos e textos que se transformaram em músicas novas que também compõem o repertório do novo show.
Por volta das 21:30h as luzes diminuem, o telão acende e o teatro é inundado pela voz de Maria Bethânia, que lê o poema Rotatória, autoria de Ana Carolina, presente no livro, que dá o tom totalmente intimista que seguirá durante todo o espetáculo.

Em seguida uma Ana Carolina tímida entra ao palco acompanhada do, também, multi-instrumentista Thiago Anthoni, ao piano para cantar a primeira da noite Outras Paisagens. Após a primeira música o primeiro poema Eu e eu, que é parte do livro e que também mostra ao público que lotou o Teatro Bradesco que aquela não se tratava de uma apresentação comum, mas sim de um espetáculo teatral e intimista em que Ana Carolina expõe sua essência em cada poema lido, cantado. Após uma pausa para o primeiro “Boa noite” ao público uma Ana de voz trêmula – provavelmente nervosa e com aquele friozinho na barriga típico de uma primeira – brinca ao dizer “Ufa! Mas que loucura isso! Acho que é uma loucura fazer um show a partir de um livro. Mas eu nunca fiz isso antes, então só vou saber se deu certo quando acabar hoje”.

ruído branco

E segue o show, entre músicas, poesias e até paródia do poema No meio do caminho, de Carlos Drummond de Andrade, em tom de crítica política. Alguns dos poemas presentes no livro são recitados pelo ator Lázaro Ramos e pela atriz Camila Morgado. Durante a apresentação também é possível ver no telão as projeções de pinturas feitas por Ana Carolina. No show Ana interpreta músicas de própria autoria, ainda desconhecidas do público, pois se tratam de poemas do livro, mas também canta canções de Cristóvão Bastos, Chico Buarque, Rita Lee, Roberto de Carvalho e faz uma belíssima versão de Mais uma vez, escrita por Flávio Venturini e Renato Russo.

ruído branco

Foi como se Ana Carolina convidasse a todos para assistir uma autobiografia musicada, poetizada e intensamente interpretada pela própria dona da história e que fez quase todo o teatro ficar até a última letra dos créditos finais. Quem tiver a oportunidade, não deixe de conferir essa “loucura” que é Ruído Branco de perto. Com certeza mudará a sua visão em relação a essa incrível artista que é Ana Carolina. O próximo show da turnê acontece no dia 09 de fevereiro, no Teatro Santander, em São Paulo.

As fotos do show estão na nossa fanpage. Acesse aqui e veja!

o roteiro do show Ruído Branco no Rio foi esse:

1. Rotatória (Ana Carolina, 2016) – poema na voz de Maria Bethânia
2. Outras paisagens (Edu Krieger e Ana Carolina, 2015)
3. Eu e eu (Ana Carolina, 2016) – poema recitado por Ana Carolina
4. Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1975)
5. Qual é? (Ana Carolina, 2017)
6. Além do paraíso (Antonio Villeroy, 2011)
7. Voo – poema recitado por Ana Carolina
8. Preciso cantar (Arthur Nogueira e Dand M, 2013) – com citação de trecho de Firenze (Ana Carolina, 2016), texto em prosa do livro Ruído branco
9. Todo o sentimento (Cristóvão Bastos e Chico Buarque, 1987)
10. Não leiam (Ana Carolina, 2016) – poema recitado pelo ator Lázaro Ramos em vídeo
11. Vai que dá certo (Emerson Leal, 2016)
12. Beijo partido (Toninho Horta, 1975)
13. Andaime (Ana Carolina, 2016) – poema recitado na voz de Ana Carolina
14. Shangrilá (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1980)
15. Pra ela (Ana Carolina, 2016) – poema recitado na voz de Ana Carolina
16. Por você (Roberto Frejat, Maurício Barros e Mauro Santa Cecília, 1998)
17. A pele (Ana Carolina, 2017)
18. A selva (Ana Carolina, 2016) – Texto em prosa falado por Ana Carolina
19. Velho piano (Ana Carolina, 2017)
20. Texto sobre o livro
21. Se essa rua fosse minha (cantiga popular de domínio público)
22. O silêncio (Ana Carolina, 2016) – Texto dito pela atriz Camila Morgado em vídeo
23. Paula e Bebeto (Caetano Veloso e Milton Nascimento, 1975)
24. Mais uma vez (Flávio Venturini e Renato Russo, 1987)
Bis:
25. Primeiros erros (Chove) (Kiko Zambianchi, 1985)

Texto: Isaias Gomes
Fotos: Fernanda Monteiro

Fernanda Monteiro

Postado por Fernanda. Leva o design na mente, a fotografia na alma e a caligrafia no coração. Devora um livro na mesma velocidade que devoraria um pudim. Se preocupa com a moda e suas tendências, mas acima de tudo com o conforto que pode vir com elas. É uma amante inveterada de séries e música e uma visitante assídua de shows: o que aparecer ela topa!

18 comentários em “Dona da história, Ana Carolina estreia show “Ruído Branco” no Rio

  1. Olá Jaqueline, a medida que você, foi falando dos repertorios dela fui me lembrando e depois pedi para esquecer rs é dificil por que são marcantes da carreira dela. Mas pelos que nos contou foi bem diferente, podemos percer um pouco pela fotografias que vc selecionou, gostei de saber um pouco mais sobre o repertorio. Beijos

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